MANJEDOURA DO CORAÇÃO

Nasce a luz na noite escura,

como estrela que repousa

no silêncio da criatura

que, cansada, enfim se pousa.

 

O mundo corre em disputas,

conta bens, levanta muros;

mas o Cristo, em paz profunda,

vem por vias do futuro.

 

Não procura tronos de ouro,

não deseja aplausos vãos;

Ele chega onde há espaço

entre dores e orações.

 

Cada alma é uma estrada,

cada vida, um despertar;

é manjedoura escondida

onde a luz quer pousar.

 

Vem no vento da esperança,

vem no pranto que se acalma,

vem no gesto que se inclina

para erguer a própria alma.

 

E enquanto o mundo festeja

sem saber do sacrifício,

Ele acende um novo rumo

no mais simples dos abrigos.

 

Porque o Natal é chamamento,

é renúncia, é partilhar;

é Deus repartindo estrelas

para os pobres da terra amar.

 

É o convite silencioso

de descer da própria alegria,

para elevar quem se perdeu

nas trevas de cada dia.

 

E quando enfim o amor floresce

na ternura de um perdão,

a estrela torna a brilhar

na noite do coração.

 

Pois Cristo não volta aos templos,

nem aos palácios de outrora;

Ele nasce no que ofereces,

no que dás em cada hora.

 

Se abrires tua alma simples,

mesmo em palhas de imperfeição,

o Céu inteiro se inclina,

faz do teu peito o Seu chão.

 

E o cântico dos anjos,

que ecoa além do véu,

repete em notas suaves:

— Paz na Terra, luz do Céu!


Por Crislany

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