A Queda e o Despertar
Há
momentos na vida em que o Espírito parece descer aos próprios abismos. Chamamos
isso de queda, mas na verdade trata-se de um movimento natural da alma
em direção ao reconhecimento de si mesma.
A
queda não é castigo: é convite.
É
o ponto em que a vida nos obriga a olhar para dentro, a confrontar as sombras,
a encarar o que foi ignorado ao longo do caminho. É o lugar onde descobrimos o
peso do orgulho, a fragilidade das ilusões e a incompletude do ego.
Mas
a queda nunca é o fim. É apenas o instante antes da aurora.
Pois
quando o Espírito toca o chão, aquilo que nele é luz — e não sombra — desperta.
A
dor abre fendas por onde a consciência respira, o silêncio faz nascer perguntas
que antes não existiam, a solidão revela que nunca estivemos sós e então começa
o despertar.
Despertar
é lembrar. É reencontrar o sentido da existência, a verdade que repousa sob as
camadas do eu provisório; é compreender que cada cicatriz é uma lição, que cada
lágrima é uma semente e que cada obstáculo é um mestre. É reconhecer que Deus
não nos eleva por escadas de ouro, mas por degraus de superação.
No
despertar, percebemos que a queda foi, na verdade, o primeiro passo para a
ascensão.
A
alma desce para aprender, e sobe para compreender. Desce para experimentar, e
sobe para servir; desce no orgulho, e sobe no amor. Pois assim como o Cristo
renasceu da cruz, cada Espírito renasce de suas próprias noites internas. E o
Evangelho nos ensina que não existe queda definitiva — existe apenas o caminho
de retorno ao Pai.
O
despertar é quando o coração enfim murmura: “Eu caí, mas agora sei por que
devo me levantar.”
E
levanta-se.
Não
para ser perfeito, mas para ser verdadeiro. Não para ser santo, mas para ser
humilde. Não para ser grande, mas para ser luz no mundo.
A
queda nos mostra quem somos.
O
despertar nos revela quem podemos ser.
Por Crislany

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