Filhos do Mesmo Céu


 

Há um instante de silêncio

em que a alma se reconhece luz.

Tudo o que separa se desfaz,

e o coração recorda:

somos filhos do mesmo Pai,

tecidos no mesmo sopro

que sustenta estrelas e amanheceres.

 

As fronteiras caem como pó antigo,

os nomes se tornam pequenos,

e o outro — antes distante —

mora agora em mim

como parte esquecida do meu próprio caminho.

Acima de nossas disputas,

há um Amor que paira intacto,

livre de rótulos, bandeiras e pretensões,

chamando-nos, suavemente,

a sermos irmãos outra vez.

 

Dessa verdade nasce a força

que o tempo não devora:

a fé que ergue cidades,

que acende coragem,

que renova mundos

e move montanhas dentro da alma.

 

O infinito — no grande e no pequeno —

nos sussurra: “Confia.”

Porque nada, absolutamente nada,

na obra viva da Natureza,

aconselha desistir.

 

E quando despertamos para o Céu que nos habita,

o impossível se torna caminho,

a dor se transforma em ponte,

a vida inteira se esclarece.

 

Então compreendemos

que cada passo é encontro,

cada ser é irmão,

e cada jornada

é a mesma busca pela Luz

que nos fez nascer.

 

Somos pó, somos vento, somos chama,

mas acima de tudo,

somos — e sempre seremos —

filhos do mesmo Céu.

 Por Crislany 

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